Mai 26

Roda Viva | João Amoêdo | 21/05/2018   

Mai 05

Sou contra o existência do FGTS. Na verdade sou contra quase tudo que se encontra na CLT, uma lei retrógrada criada por um ditador populista transvestido de presidente.

Sua ideia é simples. o Estado pega-se 8% do seu salário e lhe diz.... esse dinheiro eu vou guardar para você pois você é incapaz de administrar sua vida futura. Você não sabe garantir seu futuro e vou fazer isso para você. 

Ai levando em conta a ideia de que realmente você é incapaz o Estado pega uma miséria para você deixar seu dinheiro com ele. E pior, torna proibido você sacar aquilo que é seu. Que beleza não....

E para aquilo que já é ruim....pode ficar ainda pior. Esse mesmo Estado que te usurpa esse dinheiro empresta o mesmo para Maduro na Venezuela, para os Castro em Cuba entre outros.

 

 

Agora você me responda com sinceridade.... Você emprestaria seu dinheiro para esses caras?

 

Mas como isso é difícil de mudar, pode-se remediar a situação com outras alternativas. No último final de semana o Estadão publicou um artigo do economista Gustavo Franco que reproduzo abaixo. Uma ideia na aridez do assunto.

 

Não se pratica no FGTS uma política que busque a melhor rentabilidade para o quotista

 

 

Gustavo H. B. Franco*, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2018 | 05h00

O debate sobre a Previdência esteve muito focado no INSS, o instituto através do qual trabalhadores empregados recolhem uma contribuição que é utilizada para os pagamentos aos inativos. É um sistema, digamos assim, “da mão para a boca”, ou mais precisamente de uma mão (jovem) para outra boca (inativa), e que pode ficar seriamente desequilibrado com mudanças demográficas. Pouco se falou, no entanto, sobre previdência complementar em regime de capitalização, aquela onde o indivíduo se aposenta com o que poupou, incluído o rendimento adequado do seu dinheiro.

Na verdade, se a “reforma da Previdência” serve para assegurar uma velhice confortável ao cidadão contribuinte, deveria cuidar de mudanças coordenadas nesses dois pilares do sistema, e em especial do segundo. 

A primeira vantagem de se trazer a Previdência por capitalização para o debate é a de oferecer um conceito intuitivo de aposentadoria justa: aquela que resulta diretamente do esforço de poupança do contribuinte somado à poupança feita a seu favor pelo seu empregador nos termos combinados em seu contrato de trabalho.

Se o cidadão, ao se aposentar, ganha mais do que isso, será em razão da generosidade da sociedade em assim presenteá-lo e necessariamente às custas de terceiros que nada têm com o assunto. Analogamente, se receber menos, será porque o governo lhe surrupiou um pedaço em benefício de algum escolhido das autoridades. Como seria possível criar uma Previdência por capitalização em larga escala no Brasil?

Resposta: através de poupanças previamente acumuladas pelas pessoas, nem sempre voluntariamente, e que têm sido utilizadas para outros fins. Estamos falando do FGTS, um fundo que tem 86,4 milhões de quotistas, mas cuja utilização passa bem longe dos melhores interesses dos donos do dinheiro. O FGTS é caro, mal gerido e remunera miseravelmente o quotista. 

A Caixa cobra uma taxa de administração elevada para gerir os recursos que, em verdade, formam uma linha auxiliar de “funding” para seus empréstimos habitacionais e de infraestrutura urbana, todos fortemente subsidiados. 

Não se pratica no FGTS, ao contrário do que se passa em fundos de pensão, uma política de investimento que busque a melhor rentabilidade para o quotista, observado o seu perfil de risco. Ao invés disso, a prioridade é para os objetivos do governo, ainda que o dinheiro seja privado.

Além disso, o FTGS criou uma linha especial de investimentos em infraestrutura, o famoso FI-FGTS, que investiu em diversos projetos muito citados pela clientela da Operação Lava Jato.

Durante o período 2003-2017 o FGTS rendeu para seus quotistas exatos 95%, correspondentes a TR + 3% anuais, perdendo para o IPCA do período, que andou a 141%. Enquanto isso, o CDI andou 511% e o rendimento médio dos 262 fundos de pensão em funcionamento no País alcançou 641%.

Isso quer dizer que, em retrospecto, se o FGTS tivesse se convertido em um fundo de pensão em 2003 e investido seus recursos tal qual a média de outros da espécie, cada R$ 1,00 teria se transformado em R$ 7,41, e não em R$ 1,95 como se verificou. 

Os R$ 5,46 dessa diferença, que poderiam estar na conta dos quotistas do FGTS, foram gastos pelo governo em “políticas públicas”. Muitos empregos podem ter sido criados, e muitas pessoas podem ter ficado felizes com isso, mas por que o governo não faz essas bondades com o dinheiro dele? O ônus desse esquema é do cidadão poupador, que deixou de acumular recursos que lhe garantiriam mais qualidade de vida na terceira idade.

Na posição de setembro de 2017, o FGTS possuía R$ 486 bilhões em ativos, e cada um de seus 86,4 milhões de quotistas poderia conjecturar que teria 7,41 vezes o que contribuíram de 2003 para cá se o FGTS tivesse investido como um fundo de pensão, observando o interesse do dono do dinheiro.

No final de 2017, os 262 fundos de pensão em operação no País tinham R$ 802 bilhões em investimentos para 2,6 milhões de participantes ativos e 750 mil assistidos. 

Uma boa reforma no FGTS faria muita gente mais tranquila com a reforma da Previdência. 

 

 

 

Mai 05

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2018 | 17h30

Não importa mais o fato de que já ninguém consegue entender o que seja a divisão ideológica entre direita e esquerda. O que importa é que partidos, pensadores e pessoas que se dizem de esquerda estejam mergulhados em profunda confusão, já não conseguem entender o que se passa e, na falta de programas sustentáveis, permanecem patinando no vazio, sem impacto eleitoral.

Se ainda existe a divisão da sociedade em classes, entre a burguesia exploradora e o proletariado explorado, não é mais assim que elas se manifestam hoje. Nem é entre essas contradições que opera a dialética destes tempos.

O sistema de produção deixou de ser predominantemente fabril e os sindicatos estão ameaçados de esvaziamento. Já não há mais “donos” do capital e, apenas residualmente, famílias detentoras de controle acionário. Hoje pode estar distribuído por fundos de equity; amanhã, podem ter passado para uma instituição com sede num paraíso fiscal. A dinâmica do capital tornou-se predominantemente financeira, circula ao redor do mundo à velocidade da luz. A nova tecnologia, altamente digitalizada, destrói postos de trabalho e profissões. Também cria outras, sabe-se lá com que duração.

A produção de riqueza e renda também não está mais centralizada na indústria. Mais de 70% do PIB das economias avançadas, incluída aí a do Brasil, está no setor de serviços. Em todo o mundo, a execução do trabalho deixou de ser preponderantemente braçal ou física. A internet e os aplicativos vêm empurrando os assalariados para atividades autônomas, “por conta própria”, nas quais qualquer um pode ser patrão de si mesmo.

As atuais esquerdas vêm denunciando equivocadamente esse processo como um ambiente de precarização e de informalização do trabalho. Não se dão conta de que está em curso um movimento – até onde se pode ver, inexorável – em direção ao pequeno e médio empreendedorismo. Esse novo ambiente não destrói apenas os esquemas de financiamento da previdência social. Também dissolve a atividade sindical, na mesma medida em que o proletariado se empenha em ter ocupação independente.

Ao contrário do que vinham repetindo pensadores de esquerda, o sistema global não é excludente, no sentido de que alija o trabalhador do mercado de trabalho e de consumo. Aconteceu o contrário. 

No mundo inteiro as classes médias crescem à proporção de 140 milhões de pessoas por ano. Na Ásia, cada vez mais os anteriormente relegados à cultura de subsistência vêm sendo incorporados ao mercado. Paradoxalmente, na medida em que são incorporados e seus produtos são distribuídos globalmente por uma fração dos preços convencionais semeiam ressentimento entre as classes médias do Ocidente, que perdem emprego e salário para esses emergentes e, lá pelas tantas, elegem um salvador.

Além de naufragar no diagnóstico e na narrativa do que hoje se passa, as esquerdas não sabem o que fazer quando chegam ao poder. Perdem-se em políticas populistas e se agarram a um distributivismo artificial. Ao mesmo tempo que se dedicam a tomar, a aparelhar as instituições do Estado, atiram-se à pilhagem do patrimônio público, nem sempre em benefício “da causa”, como tantos pretendem justificar, mas em benefício pessoal, dentro do modelo patrimonialista operado pelas elites tradicionais.

Para não ir mais longe, não foi isso que aconteceu e acontece na Venezuela sob Hugo Chávez e Nicolás Maduro? Não foi o que seu viu no Brasil, ao longo dos governos Lula e Dilma, que se notabilizaram pelos rombos fiscais, pelas pedaladas, pelo mensalão e pelo petrolão? Enquanto controlaram o governo, as esquerdas não entenderam que qualquer política social só pode ter consistência quando calcada no equilíbrio das contas públicas.

Enfim, é uma esquerda sem foco ideológico e sem agenda, incapaz até mesmo de identificar o inimigo da hora. Lutar por redução da desigualdade pode não ser mais importante do que lutar contra a pobreza e, portanto, por desenvolver o País em bases sustentáveis. Cuba é um dos países com melhor distribuição de renda, mas não sai do buraco em que está. 

Virou lugar comum afirmar que é preciso reciclagem e que problemas novos exigem uma nova esquerda. Mas isso, decididamente, não se faz com denúncias “ao golpe de 2016”; não se faz com ataques verbais ao juiz Sérgio Moro e à “imprensa vendida ao capital”; não se faz com posicionamentos vazios, “contra tudo o que está aí”.

Nem há indícios de que os que estão aí estejam dispostos a reconhecer seus erros e a comparecer perante o eleitor com nova postura e nova compostura

 

 

 

 

 

 

 

Abr 22

Alguns líderes fazem nascer um sentimento de força, de poder e de responsabilidade

21 Abril 2018 | 16h02

http://economia.estadao.com.br/blogs/radar-do-emprego/wp-content/uploads/sites/55/2018/04/lider.jpg

Marcelo Treff, professor da PUC

Quando pesquisamos sobre o tema bons líderes ou liderança, na internet, apenas filtrando o enfoque empresarial/organizacional, encontramos infinidade de referências, o que já era comum na década de 1980.

No entanto, na visão de Mintzberg (2010), um dos mais respeitados teóricos da administração, apesar da popularidade, a pesquisa sobre a liderança não se traduziu em contribuições pertinentes.

Devemos refletir que liderança é um tema muito mais amplo e complexo do que simplesmente uma posição focada na eficiência produtiva, tendo de pressuposto a capacidade de líderes e liderados atingirem os resultados organizacionais.

Kets de Vries, no surpreendente livro Reflexões sobre Caráter e Liderança (2010), nos ensina que quando pensamos em líderes e liderança, uma multidão de imagens vêm à cabeça, muitas vezes coloridas de reações emotivas. Para o autor, “alguns líderes fazem nascer um sentimento de força, de poder e de responsabilidade; outros evocam as forças do terror, a perseguição e a destruição”.

As novas gerações têm demandado (e adotado) Estilos de Liderança mais inspiradores e transformadores e menos autoritários.

A pesquisa Líderes mais Admirados (2017) realizada pela Cia. dos Talentos ouviu mais de 113 mil profissionais – sendo 65,8 mil jovens e recém-formados – em nove países da América Latina. Do total de participantes, 82 mil eram brasileiros. Dos jovens entrevistados, 71% afirmaram que preferem trabalhar com líderes “focados em desenvolver as habilidades da equipe” e 29% com um “líder referência em sua área de atuação”.

Os três nomes que encabeçam a lista são descritos pelos jovens como sendo fonte de inspiração para “atingir metas” e “ter foco”. Eis a lista: 1. Bill Gates; 2. Jorge Paulo Lemann; 3. Steve Jobs; 4. Mark Zuckerberg; 5. Professor/ex-professor; 6. Barack Obama; 7. Silvio Santos; 8. Pai/mãe; 9. Elon Musk; 10. Chefe/ex-chefe.

Burns (1978), considerado por muitos autores renomados como um clássico, nos ensinou que liderança é um fenômeno dual, sendo que o ato de liderar e o de seguir o líder se retroalimentam. Portanto, fica a mensagem para gestores e empresas: simplesmente ter autoridade – ou cargo de chefia – não transforma ninguém em líder.

 

Abr 22

O aliciamento ideológico é feito diariamente em grande parte das escolas e universidades do Brasil

Carlos Maurício Ardissone*, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2018 | 03h00

É bastante duro, para não dizer impossível, ser ao mesmo tempo liberal e professor de Ciências Sociais no Brasil. Vida inglória a do professor que leciona num curso de humanidades e ousa proclamar-se publicamente “de direita”. O professor de Ciência Sociais que ousa questionar a cartilha marxista-gramsciana predominante e se recusa a se comportar como um intelectual orgânico em sala de aula enfrenta duras penas: é tachado de reacionário por muitos colegas, torna-se alvo de risadinhas e fofocas na sala de professores e frequentemente é punido com a perda de disciplinas e prejudicado em bancas de seleção para muitas universidades públicas por não integrar nenhuma das panelinhas ideológico-partidário-sindicais que dominam os corpos docentes nessas instituições.

Digo isso por experiência própria. Em 2004, durante um evento universitário alusivo aos 40 anos do golpe de 64, arrisquei-me a questionar os propósitos democráticos e libertários dos grupos que apoiavam João Goulart e dos que, após a tomada do poder pelo militares, organizaram a insurgência armada. Tinha ao meu lado opiniões de alguns historiadores e cientistas sociais e entrevistas de ex-integrantes das fileiras da resistência. Esclareci então que não propunha esse olhar para justificar nada a respeito da ditadura militar. Mas de nada adiantou. Fui alvo da reação agressiva e verborrágica de um dos integrantes da mesa (um professor mais experiente) que comparou o cenário do pós-64 com o de uma “guerra” para buscar uma justificativa moral para atos guerrilheiros de grupos armados, mesmo os que, sabidamente, atingiram civis inocentes, que nada tinham que ver com a repressão. Na plateia, outros professores apoiaram a reação do colega e vieram me censurar ao final do colóquio e revelar desapontamento comigo. Corria o ano de 2004, era professor universitário havia pouco mais de três anos e desde então me retraí para evitar ser repelido.

Esse singelo episódio é uma boa ilustração do ambiente repressivo que, diariamente, constrange inúmeros professores liberais, aos quais é imposta uma lei de silêncio quase marcial, por causa do temor de possíveis retaliações. São professores que dependem exclusivamente do magistério para sobreviver e, por essa razão, não podem expor abertamente o que pensam em redes sociais, em congressos, em seminários, em entrevistas de emprego ou em processos seletivos, especialmente para instituições públicas.

Não me referi à sala de aula porque esta merece uma atenção especial. Para os professores marxistas-gramscianos, a sala de aula é um espaço de desenvolvimento do pensamento crítico. Até aí, nada demais. Quem poderia discordar disso? O problema começa quando passam a pregar para os alunos que a única forma de aprender a ser crítico é a partir do receituário conceitual e ideológico em que acreditam. Daí para a doutrinação é um pulo, uma mera formalidade. Por mais maduros e esclarecidos que os jovens de hoje sejam, quem consegue resistir criticamente ao sonho de mudar o mundo e de corrigir todas as injustiças existentes, a começar pelas diferenças de classe? Quem resiste a culpar algo (o capital) ou alguém (o imperialismo americano, a burguesia, etc.) pelas mazelas universais? Funciona à perfeição o “canto da sereia”. E professores doutrinadores sabem como tirar proveito.

Para muitos dos professores marxistas-gramscianos, a impossibilidade de neutralidade axiológica representa, parafraseando o slogan de James Bond, uma “licença para doutrinar”. Funciona como uma espécie de álibi ou salvo-conduto para exercer sua militância travestida de atividade pedagógica, sem nenhum peso na consciência. Como estão convictos de que conhecem intimamente a fórmula para a redenção da humanidade e de que detêm o monopólio da virtude, naturalizam o processo de aliciamento ideológico que diariamente é realizado em grande parte das escolas e universidades do Brasil. Convocam alunos para passeatas e panfletagens de partidos, candidatos e sindicatos, sem a menor cerimônia. Pressionam-nos a se envolver e a apoiar agendas de movimentos sociais de esquerda, dentro e fora da sala de aula. Tudo sem jamais oferecer contrapronto digno de nota e confiança, nos conteúdos que supostamente cumprem como profissionais de magistério.

Diante de ambiente tão inóspito, não surpreende que em 2018 muitos cursos sobre o “golpe de 2016” estejam sendo oferecidos em universidades brasileiras. O panfletarismo ganha aparência de ciência normal nas mãos de professores-militantes. Regras das mais básicas da metodologia científica como a de não tratar hipótese como tese são simplesmente ignoradas.

Numa rede social, cometi a ousadia de transmitir a um professor que divulgava um desses cursos minhas restrições a tratar como inconteste que o impeachment de 2016 foi um golpe. Expus que o mínimo a esperar, como ponto de partida, seria garantir espaço para o contraditório a partir de uma pergunta inicial que poderia coincidir com o título do curso – por exemplo, “O impeachment de 2016: normalidade institucional ou golpe?”. Tal atitude permitiria que adeptos das duas versões pudessem dialogar e confrontar suas posições, chegando às suas próprias conclusões, sem maiores direcionamentos. Ainda mencionei as opiniões de um amplo leque de juristas, historiadores, escritores, jornalistas e intelectuais em geral, do Brasil e do exterior, para os quais o impeachment foi um ato perfeitamente legal e constitucional.

Recebi respostas muito “delicadas e receptivas” que prefiro não descrever aqui. Mas, se não foram das mais elegantes, revelaram-me claramente o que acontece quando narrativas com interesses específicos são elevadas ao patamar de História e ganham status acadêmico. O golpe é aqui e agora.

* DOUTOR E MESTRES EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS PELA PUC-RJ

 

 

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