Abr 22

Alguns líderes fazem nascer um sentimento de força, de poder e de responsabilidade

21 Abril 2018 | 16h02

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Marcelo Treff, professor da PUC

Quando pesquisamos sobre o tema bons líderes ou liderança, na internet, apenas filtrando o enfoque empresarial/organizacional, encontramos infinidade de referências, o que já era comum na década de 1980.

No entanto, na visão de Mintzberg (2010), um dos mais respeitados teóricos da administração, apesar da popularidade, a pesquisa sobre a liderança não se traduziu em contribuições pertinentes.

Devemos refletir que liderança é um tema muito mais amplo e complexo do que simplesmente uma posição focada na eficiência produtiva, tendo de pressuposto a capacidade de líderes e liderados atingirem os resultados organizacionais.

Kets de Vries, no surpreendente livro Reflexões sobre Caráter e Liderança (2010), nos ensina que quando pensamos em líderes e liderança, uma multidão de imagens vêm à cabeça, muitas vezes coloridas de reações emotivas. Para o autor, “alguns líderes fazem nascer um sentimento de força, de poder e de responsabilidade; outros evocam as forças do terror, a perseguição e a destruição”.

As novas gerações têm demandado (e adotado) Estilos de Liderança mais inspiradores e transformadores e menos autoritários.

A pesquisa Líderes mais Admirados (2017) realizada pela Cia. dos Talentos ouviu mais de 113 mil profissionais – sendo 65,8 mil jovens e recém-formados – em nove países da América Latina. Do total de participantes, 82 mil eram brasileiros. Dos jovens entrevistados, 71% afirmaram que preferem trabalhar com líderes “focados em desenvolver as habilidades da equipe” e 29% com um “líder referência em sua área de atuação”.

Os três nomes que encabeçam a lista são descritos pelos jovens como sendo fonte de inspiração para “atingir metas” e “ter foco”. Eis a lista: 1. Bill Gates; 2. Jorge Paulo Lemann; 3. Steve Jobs; 4. Mark Zuckerberg; 5. Professor/ex-professor; 6. Barack Obama; 7. Silvio Santos; 8. Pai/mãe; 9. Elon Musk; 10. Chefe/ex-chefe.

Burns (1978), considerado por muitos autores renomados como um clássico, nos ensinou que liderança é um fenômeno dual, sendo que o ato de liderar e o de seguir o líder se retroalimentam. Portanto, fica a mensagem para gestores e empresas: simplesmente ter autoridade – ou cargo de chefia – não transforma ninguém em líder.

 

Abr 14

Vou explanar aqui os motivos pelo qual não gosto e não leio livros de autoajuda.

O motivo é simples, parecem livro de receitas. Na minha opinião eles regridem o pensamento e tem como principal objetivo tornar a mente das pessoas preguiçosas. O que torna-se evidente e que o pensamento humano ao invés de aprimorar-se vai cada mais tornando-se robotizado.

Antigamente vemos a contemplação dos filósofos e sua incessante busca por respostas. Assim temos Platão, Aristóteles, Kant, Espinoza, Cristo entre tantos outros.

Atualmente vemos as pessoas consumindo aos borbotões esses livros como modelo de salvação de suas vidas e de seu pensamento. O que acho que esse livro serve apenas para o seu autor, que ganha muito dinheiro com eles.

Não dá para levar essas publicações à sério. O ser humano não é um robô que pode ser programado. Cada um tem sua própria personalidade. Assim, se todos os que lerem uma determinada obra de autoajuda e forem aplicar a sua vida, teremos uma automatização em série de pessoas com procedimentos iguais. Isso é incompatível com o gênero humano.

Fique milionário em dez lições, sete lições para se tornar uma pessoa feliz. Impossível aplicar isso na vida cotidiana de um coletivo. Um exemplo, como conquistar sua secretária em 05 lições. Ai você devora o livro com a maldosa intenção. Aprende tudo e vai aplicar na prática. Ela olha para você e diz .....sou lésbica.

O que fazer com o livro e seu aprendizado?

Então nada melhor que ler grandes filósofos, economistas, tratados políticos e livros de história. Assim você pode formar suas próprias opiniões e fazer seus próprios questionamentos. Ninguém vai lhe dar uma receita. Você decide.

 

 

Mar 30

O líder, na maioria das vezes, é retratado como alguém com superpoderes. Em outras, o líder é fonte de uma inesgotável fonte de energia e capacidades múltiplas. Contudo, devemos perceber que na verdade nada mais são do que ‘gente’. Isso mesmo, gente. Uns com maior capacidade que outros. Uns mais ‘humanos’ que outros. Uns mais equilibrados que outros.

Mas, acima de tudo, nada mais são do que gente. Porém, o mundo corporativo atual tem, apesar de toda ‘humanização’ (isso é um sarcasmo), deixado espaço para um tipo que foge desse padrão. E que pouco se fala, o líder ‘psicopata’. Falo aqui de um tipo que ‘foge’ um pouco dos famosos psicopatas que vemos em filmes ou nos casos contados por psiquiatras.

Esse tipo tem como característica o ‘excesso’ de alguns traços comportamentais preocupantes, como por exemplo ser frio, manipulador, desconfiado, mentiroso, egocentrismo e inseguro, dentre outros.

Você reconhece alguém assim?

Acho que, mesmo que seja por um breve momento, esse tipo nos ‘ronda ou rondou’. Contudo, espero que não o ronde. Afinal, o ambiente corporativo favorece a presença desse tipo. Mesmo entendendo que a qualquer momento pessoas ditas ‘normais’ possam, por um instante, ser agressivas, egoístas, arrogantes, hostis, descontroladas e explosivas. Mas, não esqueça, uma vez ou outra, é considerado ‘aceitável’, mesmo que possamos condenar tais práticas. Mais ainda, quando essa mesma pessoa percebe seu exagero, e se retrata, tendemos a esquecer o ocorrido.

Contudo, esse tipo que falamos (o líder ‘psicopata’) aqui, vive se tornando repetitivo e inflexível. E, ‘cansa’, em muitos momentos da vida profissional, de praticar essas ‘maldades’. Ele chega ao ponto de causar sofrimento ou perturbação a si mesmo, mas, sobretudo, aos outros. São indivíduos despreparados para receber críticas, são coléricos, tem uma raiva enorme quase ‘à flor da pele’, magoando-se com muita facilidade, impedindo com isso que as relações sociais com outras pessoas sejam prejudicadas.

Achou interessante esse assunto?

Então vamos ao cerne desse texto. Você certamente terá dicas valiosas para entender um pouco mais sobre esse tipo. E de preferência ficar ‘longe’. Mãos-a-obra!!!

 

INTRODUÇÃO

Você deve, com base no exposto, estar se perguntando por que esse tipo não é ‘desmascarado’?

Sim, em um ambiente saudável esse sujeito não tem vida longa. Mas, infelizmente essa não é a regra. Pois, poucos ambientes hoje são saudáveis a esse ponto. Em um mundo dominado pela vaidade e pelo consumo pouco são os locais em que esse ‘ser’ não habita. Conquanto, nas empresas contemporâneas, esse tipo mais do que sobrevive, ele se mantém, principalmente quando dá bons retornos financeiros.

Você já deve ter percebido que o cenário das organizações exige respostas imediatas. Essa constatação estimula de forma significativa o aparecimento no subsistema organizacional do fenômeno desse líder ‘psicopata’.

A organização exerce um poder de atração e de identificação, com ocorrências de aparência, onipresença e visibilidade constituindo-se na amostra que privilegia os resultados de curto prazo. Nessa condição, fica muito mais fácil esse tipo se manter.

O poder desse simulacro está por todo o ambiente social (famílias, amizades, casamentos) mas na organização, esse líder ‘psicopata’ ganha notoriedade.  Isso porque a matéria-prima é a personalidade do business ou do ‘winner’ por excelência.

É uma ‘parábola’ perversa desses tempos, onde esses tipos são capazes de simbolizar a natureza mítica nas organizações. Nessa dinâmica, a organização torna-se um repositório ideal para eles se estabelecerem, porque de um lado ela o acolhe, do outro eles encontram as condições favoráveis para exercerem suas ‘doses’ de tiranias, desde que produzam resultados corporativos.

Outro aspecto que colabora para sua ‘preservação’ é que no universo empresarial, as figuras ‘heroicas e radicais’ são sempre valorizadas. Logo, isso funciona como uma fonte para o indivíduo tornar-se empresário da sua própria vida (Ehrenberg, 1991), para assim fazer-se um campeão, singularizando-se por sua ação pessoal. Tal comportamento, então, passa a ratificar a presença desse tipo.

 

 

COMO ‘LER’ O LÍDER PSICOPATA?

O resultado da inserção desse tipo nesse ambiente traz à tona um sujeito fragmentado, que procura se ‘achar’ nas teias ardilosamente criadas no seio da organização. Nesse contexto, o excesso é permitido já que a organização busca incessantemente o profissional ideal. Entende-se por ‘ideal’ aquele que apresenta resultados significativos em curto prazo.

Sendo assim, a performance é o único imperativo da existência desse indivíduo que se conduz por si mesmo, autor de sua vida. Agir sobre si mesmo não tendo outro representante a não ser a si mesmo é o ponto central desse sujeito.

Mas, você deve estar se perguntando, quais são as principais características desse tipo?

Claro que classificar pessoas não é uma tarefa fácil. Mas algumas ‘pistas’ podem ser destacadas no líder ‘psicopata’:

1.   Perde fundamentos de sentimento,

2.   Apresenta um esfacelamento moral e ético;

3.   Enfraquecimento dos vínculos sociais, já que perde as referências indispensáveis à constituição de vínculos sociais;

4.   Clivagem (separação, afastamento) das identificações e dos convívios sociais;

5.   Perde as mediações entre o psicoafetivo e social;

6.   Riscos de adotar práticas de ‘ódio’ em nome do ‘roubo de oportunidades’de trabalho;

7.   Vínculos cada vez mais precários e instáveis;

8.   Elevado nível de competição interna;

9.   Agressividade;

10.               Gera insatisfações, estresse e perda de motivação da equipe;

11.               Menospreza os indivíduos e eliminam todos aqueles que possam representar uma ameaça;

12.               Demonstra um desejo de dominar e de controlar sendo extremamente explorador, exigindo devoção total em troca;

13.               Tende a ausência de empatia com profunda indiferença para, contudo que não seja a si próprio e seus resultados; e

14.               Afugenta as pessoas talentosas, pois se sente ameaçado por elas.

Ufa! Que lista grande.

Mas, não esqueça, essas são algumas ‘pistas’. Esse tipo é um verdadeiro camaleão. Mas, se você observar com constância essas práticas em alguém próximo a você fique atento. Podes estar lidando com esse tipo ‘psicopático’.

 

COMO ESSE TIPO CONSEGUE SE MANTER? 

Imagino que você esteja pensando como as ‘empresas’ aceitam lideres, ou até mesmo pessoas, com esse comportamento. Simples, nas empresas o clima de constante luta por aumento de resultados acaba contribuindo para o desespero de boa parte dos indivíduos, que se veem impelido a uma luta contínua ou perder a identidade em uma sociedade centralizada no trabalho. E nessa condição, esses tipos vivem ‘leves, livres e soltos’ na maioria das vezes. Duvido que você já não tenha visto isso pelo menos uma vez na vida.

Entre as múltiplas realidades há uma que se declara como sendo a realidade por excelência. Logo, ser um ser de excelência gerará um mapa de domínio. Esse fenômeno se materializa nos atos dos líderes com essas características.

Pois, esses são ‘recheados’ de mobilizações de onipotência individual e de heroísmo corporativo. Essa condição presente remonta ‘penumbras’ organizacionais em uma narrativa performática. Tal preposição, conduz à materialização de hábitos e dramaturgias que possibilitam a presença do líder ‘psicopata’ dominante. Tornando-os trancafiados nas fantasias do poder, emanados pela gestão da organização.

Mas, quem sabe você ainda está perguntando: como pessoas podem se ‘sujeitar’ a esse domínio?

Lembre-se que todo discurso se dirige aquele que crê, não ao ateu. Boa parte desses sujeitos não percebem o constrangimento, o mal-estar e o sofrimento que causam e espalham as pessoas. Então, fica fácil concluir que a priori quem sofre mesmo são as pessoas ao seu redor. E, também, é comum essas pessoas começarem a ‘achar normal’ tais práticas, principalmente em algumas áreas da empresa, tais como vendas, produção, marketing.

É muito fácil ‘viver’ com o ‘inimigo’, às vezes, inclusive sem perceber. Essas pessoas fazem parte da nossa rotina e nem sabemos que elas apresentam as características apontadas nesse artigo. Como eles podem se sentirem diferentes, superiores e os ‘escolhidos’ acham tudo normal, afinal, o importante é alcançar as metas. Para elas, os efeitos ‘colaterais’ fazem parte do processo. Manipuladoras que são, fazem crer que estão nessa condição por puro mérito.

Pode-se inferir, ainda que o líder ‘psicopata’ não perdem o juízo da realidade. Seus ‘surtos’ advém dos ‘resultados’ que os outros não alcançaram. Estão sempre a ‘caça’ dos culpados. E o que é pior, conseguem injetar o sentimento de culpa nos outros. Logo, acreditam que o problema são sempre os outros. Os outros é que causam os problemas. Por isso mesmo, sempre se cercam de uma pequena amplitude de subordinados confiáveis, geralmente ‘os aduladores’.

Assim sendo, as vítimas desses indivíduos agem basicamente de dois modos: alguns percebem a situação e desistem da organização, outros sofrem um ‘contágio mental’. Ou seja, criam uma ligação intensa com o líder ‘psicopata’ passando, inclusive a apoiá-lo, apesar das práticas pouco convencionais ou irracionais, fazendo sacrifícios para serem aceitas. Tal fato pode decorrer, em consequência de que certos indivíduos se sentem perdidos, sem valor, se estes não têm alguém para admirar. Outros indivíduos superestimam a capacidade desses líderes.

Bem, assim, ele ‘toca’ a sua vida. Destruindo. Manipulando. Mentindo. Dominando. Remorsos? Nenhum, afinal, apresenta uma ‘grandiosidade’ ostensiva, com preocupações exacerbadas sobre si mesmo supervalorizando as suas realizações em fantasia de grandiosidade. Você pode estar pensando, mas eles duram para ‘sempre’? Claro que de tempos em tempos a ‘casa cai’…. mas, até lá…. são os donos do ‘pedaço’.